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quinta-feira, 25 de março de 2010

Um incómodo camarário chamado antigo Colégio Camilo

A situação deplorável a que a Câmara de Famalicão deixou chegar o imóvel do antigo Colégio Camilo Castelo Branco, na Rua Manuel Pinto de Sousa, envergonha qualquer Famalicense. Ainda pensei, por momentos, que, por uma questão de pudor político e respeito pela inteligência dos munícipes, a gestão da Autarquia viesse a público justificar-se de forma convincente e nos deixasse, sete anos depois de ter adquirido o imóvel, o esboço de uma solução para tamanha vergonha. Mas não... Enganei-me.
Não disfarçando nem o incómodo político nem a falta de uma solução, uma fonte do GAP adianta hoje ao "Jornal de Notícias" uma justificação oficial para tanto desleixo e inacção que assume foros de despautério: "Neste momento, não está nada decidido". Haja vergonha!
Se não acredita, leia a notícia da jornalista Alexandra Lopes no JN de hoje aqui.
Pessoalmente, recebi esta notícia com redobrada preocupação, mas como um incentivo; como muitos outros que me têm chegado, nos últimos dias, de concidadãos nossos mais ou menos anónimos, de amigos, de camaradas de partido e, sobretudo, de Famalicenses respeitados e influentes, pessoas sérias, de total credibilidade e de todas as áreas políticas e sensibilidades. Todos, mas todos!, apoiam a iniciativa política que eu e o deputado municipal Raul Tavares Bastos protagonizamos na última sessão da Assembleia Municipal, requerendo o agendamento do assunto para uma próxima sessão do órgão autárquico que está no centro da democracia local.
Estou, por isso, cada vez mais desconfiado e profundamente triste. A nossa Terra merece ter no Governo do Município. Famalicenses que tenham Famalicão no coração e na cabeça, que pensem e se preocupem com as pessoas e a vida da nossa comunidade 24 horas por dias durante os 365 dias do ano. Sete anos depois de ter comprado um imóvel com aquela localização, o valor simbólico e a carga afectiva que tem para milhares de Famalicenses o antigo Colégio Camilo e vir dizer que "a Câmara Municipal de Famalicão tem cuidado do seu património e dos serviços com rigor e em função das necessidades das pessoas"… É preciso não ter... nada!
Os Famalicenses saberão avaliar na altura própria. Até lá, a Câmara vai ter de aguentar a minha resiliência. Sou assim. Já não mudo. Estou chocado com tamanha desfaçatez. Se fosse o Scolari, perguntaria a Armindo Costa: o Senhor pensará, porventura, que os Famalicenses são burros?

Carlos de Sousa

3 comentários:

José Luís Araújo disse...

O que causa incómodo à Câmara não é o estado do edifício, se fosse, já não estaria assim. O que incomoda é que haja famalicenses atentos e que questionem, como o fez em primeiro lugar o deputado Adelino Mota, seguido de mim e de outros famalicenses.
Caso ninguém se lembrasse, continuaria esquecido até vir a ser algum facto consumado. Este é um tema que merece um amplo interesse de todos os famalicenses e começa a ser urgente que haja respostas.
Uma vez que foi negado aos famalicenses a existência de um Provedor do Munícipe, sejamos nós todos a exigir as respostas que em sede própria nos foram negadas.

C. de Sousa disse...

Peço desculpa por ter omitido a intervenção do deputado municipal Adelino Mota, do BE, que, efectivamente, colocou o problema do destino a dar pela Câmara ao imóvel do antigo Colégio Camilo a Armindo Costa na primeira vez em que este se dignou comparecer numa sessão plenária da AM, em 26 de Fevereiro último.
Quanto ao resto, estamos de acordo: nos propósitos e nas preocupações. Mas, atenção!, não condenem a um monte de pedras sem qualquer interesse ou valor um edifício que, na memória colectiva e nos afectos, diz muito, ainda, a milhares de famalicenses. E esse é um aspecto que também deve ser tido em consideração nesta altura em que, pelos vistos, ainda tudo é equacionável.
Quem não tem passado não merece ter futuro. E naquele prédio funcionaram uma escola e a sede de um partido político que, mal ou bem, foi protagonista de um acto que faz já parte da História de Portugal no pós-25 de Abril. E isso não se rasga nem se trafica. Por uma razão simples: ao contrário do sector imobiliário, onde de tudo se compra e tudo se vende, o respeito por valores como dignidade, transparência e boa gestão da res publica não são transaccionáveis. Ou se tem ou... não. Clarinho como a água que na minha infância corria nos Pelames.

José Luís Araújo disse...

Aproveito para aqui relembrar que o Bloco de Esquerda já por duas vezes, em 2006 e em 2008 apresentou na Câmara Municipal, na altura da elaboração dos respectivos planos e orçamentos, propostas para ali ser criada uma casa Inter-geracional, onde se poderia incluir também a Casa da Juventude. Isto foi apresentado das duas vezes em conferência de Imprensa. A preocupação do BE sobre esta situação é antiga, fizemos-lo em sede própria, mas infelizmente a Câmara Municipal nunca atendeu à nossas propostas.
É verdade que a questão colocada na AM por Adelino Mota não foi referida na comunicação social, assim como também a nossa proposta sobre a VIM que foi aprovada por unanimidade e que deu origem a informações importantes do senhor presidente da Câmara sobre esse assunto, também não tiveram qualquer destaque na comunicação social.
Penso que as forma podem divergir, mas o importante é que se impressa que seja cometido algum "crime cultural" com o edifício do antigo Colégio Camilo Castelo Branco.